Wednesday, June 22, 2011

Excelente explicação do que é o CBA da NBA

O blog setevintecinco.blogspot.com tem uma excelente explicação do drama que se está a passar neste momento na NBA com a possibilidade de não termos época 2011/2012!!

E tudo por causa de um Collective Bargain Agreement (CBA) entre os jogadores e as equipas que não é de todo neste momento um concenso...

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O Bê-à-bá do CBA

Por esta hora, enquanto escrevemos este post, os proprietários das equipas e os representantes do Sindicato dos Jogadores estão reunidos em Nova Iorque, a negociar o novo Acordo Colectivo de Trabalho (Collective Bargaining Agreement ou CBA) e a tentar chegar a um entendimento que salve a próxima temporada. É a última das reuniões agendadas entre ambas as partes e uma que David Stern descreveu como "muito importante. É importante porque o tempo está a esgotar-se. (...) acredito que ambas as partes continuam empenhadas e estão a fazer o seu melhor para chegar a acordo antes de 30 de Junho e depois de terça-feira é a altura para ter uma visão pessimista ou optimista." Que é o mesmo que dizer: depois da reunião de hoje vamos saber se é altura de começar a fazer a antevisão da próxima temporada ou se é altura para nos prepararmos para uma temporada sem basquetebol.

E o que é preciso para salvar a temporada? Quais as questões que dividem os donos e os jogadores? Vamos tentar clarificar aqui as principais:

Divisão das receitas
O Basketball Related Income (BRI) são todas as receitas que entram nos cofres da liga (venda de bilhetes, venda de merchadising, direitos televisivos nacionais, exploração de espaços comerciais nos pavilhões, 50% dos contratos de patrocínio de nome dos pavilhões e 40% dos contratos de publicidade nos pavilhões). Desse bolo, uma percentagem é destinada ao pagamento dos salários dos jogadores e a outra é para as equipas. A divisão actual é 57% para os jogadores e 43% para os proprietários.
Estes últimos querem mudar isso e reduzir a percentagem dos jogadores. A sua proposta inicial era 60-40 para as equipas. O argumento para defender tal divisão é que os jogadores recebem os salários e não têm mais nenhum custo, logo tudo o que recebem é lucro, enquanto as equipas têm de pagar todos os custos de funcionamento (viagens, manutenção dos pavilhões, promoção, salários de funcionários, etc), logo, dos actuais 43%, apenas uma pequena parte é lucro.
Mas do lado dos jogadores ninguém parece muito satisfeito com a hipótese de abdicar da percentagem que têm actualmente.

Tecto salarial
Os proprietários insistem na criação dum tecto salarial fixo (hard cap) e na eliminação das várias excepções que existem actualmente (mid-level exception, veteran players exception, etc). Isto permitiria poupar milhões de dólares em salários, para além de beneficiar as equipas de mercados mais pequenos e criar mais equilíbrio entre todas. No sistema actual, as equipas de mercados maiores (Los Angeles, Miami, New York, Dallas) têm mais receitas e podem gastar mais dinheiro em salários (pagar o luxury tax não é um problema para muitas delas). Se nenhuma equipa puder gastar mais dinheiro que as outras em salários, isso significa salários mais baixos e menos custos para todas.
Mais uma vez, os jogadores não gostam da ideia de ver os salários reduzidos. Para além disso, dizem, a maioria dos jogadores da liga não são super-estrelas que recebem salários máximos e muitos deles conseguem contratos com as equipas através dessas excepções contractuais. A sua eliminação poderia significar que muitos desses jogadores perderiam os seus contratos.

Duração e natureza dos contratos
Neste ponto, os proprietários querem contratos mais reduzidos e não-garantidos até ao fim da sua duração. Entretanto já desistiram dos contratos não-garantidos, mas insistem na menor duração dos contratos. Um jogador pode não render o que era esperado quando o contrataram ou pode ter uma lesão grave e os donos querem mais flexibilidade para corrigir eventuais erros de gestão ou acidentes de percurso.
Do lado dos jogadores, dizem que esse é um risco do negócio e um risco que as equipas têm de assumir totalmente.

Como em tudo, a virtude está no meio. Os proprietários têm de perceber que ter uma equipa de basquetebol é um negócio arriscado e geralmente imprevisível. Os resultados financeiros estão dependentes dos resultados desportivos e não podem esperar ter sempre lucros ou ter esses lucros 100% garantidos. E os jogadores têm de perceber que as equipas (e a liga) onde jogam precisam de lucros e de ser um negócio rentável.

Como em qualquer negociação, terá de haver cedências dos dois lados. Esperemos que haja bom senso e elas cheguem rapidamente. Para o bem dos jogadores, dos proprietários e da liga. E para o bem dos fãs que, no meio disto tudo, é o bem mais importante de todos."

Abração!!
I.

Posted via email from Gente de Bronze a Andar

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